Cancro do testículo: como é feito o diagnóstico?
Cancro do testículo: como é feito o diagnóstico? O cancro do testículo é uma das doenças oncológicas mais frequentes em homens jovens, especialmente entre os 15 e os 35 anos. Apesar de raro, a deteção precoce aumenta significativamente as taxas de sucesso no tratamento, ultrapassando os 95%.
Em Portugal, a incidência é ligeiramente inferior à média europeia, mas a informação sobre os sintomas e métodos de diagnóstico continua a ser essencial. Este artigo aborda desde os primeiros sinais até ao estadiamento avançado, ajudando a compreender todo o processo.
O diagnóstico combina exames físicos, análises ao sangue e técnicas de imagem, como ecografias. A identificação de alterações nas células permite um acompanhamento mais eficaz, garantindo melhores resultados.
Conhecer os fatores de risco e os procedimentos médicos disponíveis pode salvar vidas. Continue a ler para descobrir mais detalhes sobre esta condição e as melhores formas de a enfrentar.
Sinais e sintomas que levam ao diagnóstico
Reconhecer os primeiros indícios de problemas nos testículos é crucial para um diagnóstico precoce. A maioria dos casos manifesta-se através de alterações físicas ou sensações incomuns na região escrotal.
Alterações físicas nos testículos
Um dos sinais mais comuns é o aparecimento de nódulos nos testículos, geralmente com mais de 2 cm e consistência dura. Estes nódulos são, na maioria das vezes, indolores, o que pode atrasar a procura de ajuda médica.
Outros sintomas incluem sensação de peso no scrotum ou assimetria visível. Em alguns casos, hidroceles ou varicoceles podem ser confundidos com tumores, daí a importância de uma avaliação especializada.
Dor ou desconforto na região escrotal
Embora menos frequente, a dor pode surgir, especialmente se houver hemorragia dentro do tumor. Cerca de 7% dos casos apresentam este sintoma atípico.
O desconforto pode estender-se ao abdómen ou virilha, muitas vezes acompanhado pelo aumento dos linfonodos. A Sociedade Portuguesa de Urologia recomenda o autoexame mensal para detetar alterações precoces.
Saber diferenciar entre causas benignas e malignas é essencial. Se notar alguma mudança persistente, consulte um especialista sem demora.
Exame físico inicial pelo médico
Quando há suspeita de alterações nos testículos, o médico inicia uma avaliação detalhada. Este processo inclui observação, palpação e análise de possíveis sinais associados.
Palpação dos testículos e identificação de nódulos
A palpação bilateral é o método principal para detetar anomalias. O especialista usa lâminas lubrificadas para comparar tamanho, textura e consistência entre ambos os lados.
Nódulos malignos apresentam características específicas. Fixam-se ao epidídimo e não permitem a passagem de luz (ausência de transiluminação). A técnica evita confusões com quistos ou inflamações benignas.
Avaliação de gânglios linfáticos e abdómen
O abdómen e os gânglios linfáticos são verificados cuidadosamente. Massas nesta região podem indicar disseminação da doença.
O profissional também pesquisa sinais como ginecomastia. Alterações hormonais podem surgir em 5-10% dos casos, segundo a Direção-Geral da Saúde.
Histórico de criptorquidia aumenta o risco. Pacientes com este antecedente requerem atenção redobrada durante o exame físico.
Ultrassom testicular: o primeiro exame detalhado
Através do ultrassom, os especialistas identificam padrões associados a alterações malignas. Este exame não invasivo tem uma sensibilidade de 95% na deteção de neoplasias, sendo o método preferencial após o exame físico.
Como o ultrassom diferencia tumores de outras condições
Lesões malignas apresentam ecogenicidade heterogénea, contrastando com cistos simples (homogéneos). O Doppler analisa a vascularização, com índices de resistência superiores a 0.6 em casos suspeitos.
Em situações complexas, usa-se contraste ecográfico para amplificar detalhes. Essa técnica aumenta a precisão do diagnóstico, evitando confusões com inflamações benignas.
Padrões de fluxo sanguíneo associados a cancro
O fluxo sanguíneo hipervascular é um marcador relevante. Tumores agressivos exibem maior densidade de vasos, visíveis através do ultrassom com Doppler.
- Duração média: 15-20 minutos em hospitais portugueses.
- Sem preparação prévia ou desconforto para o paciente.
- Resultados imediatamente disponíveis para o médico.
Comparado a outras técnicas de imagiologia, como a elastografia, o ultrassom mantém vantagens em custo e acessibilidade.
Análises sanguíneas e marcadores tumorais
Além dos exames físicos e de imagem, as análises ao sangue desempenham um papel essencial no diagnóstico. Os marcadores tumorais fornecem informações valiosas sobre o tipo e a progressão da doença.
AFP, HCG e LDH: o que indicam estes marcadores?
Três substâncias são fundamentais na avaliação:
- AFP (Alfa-fetoproteína): Valores acima de 10 ng/mL sugerem a presença de não-seminomas.
- HCG (Gonadotrofina coriónica humana): Níveis elevados (>5 mUI/mL) podem ocorrer em ambos os tipos, mas são mais comuns em tumores mistos.
- LDH (Desidrogenase láctica): Reflete a carga tumoral, sendo útil para monitorizar a resposta ao tratamento.
A meia-vida destes marcadores varia. Enquanto o HCG desaparece em 24-36 horas, a AFP demora 5-7 dias a reduzir para níveis normais.
Diferenças entre seminomas e não-seminomas
Os seminomas puros raramente elevam a AFP, ao contrário dos não-seminomas. Cerca de 40% dos casos apresentam padrões mistos, exigindo análise cuidadosa.
Valores de HCG superiores a 5.000 mUI/mL indicam geralmente doença avançada. Em Portugal, o INSA estabeleceu protocolos específicos para acompanhar estes doentes após o tratamento inicial.
Cirurgia diagnóstica: orquiectomia radical
Quando existe suspeita confirmada através de exames, a orquiectomia radical torna-se o procedimento padrão. Esta cirurgia remove o testículo afetado para análise completa, garantindo maior precisão no diagnóstico. Cancro do testículo: como é feito o diagnóstico?
Razões para evitar a biópsia convencional
A biópsia tradicional apresenta riscos significativos. Estudos indicam que pode provocar disseminação de células malignas através da corrente sanguínea.
Outros motivos incluem:
- Maior taxa de falsos negativos comparada à orquiectomia
- Risco elevado de complicações pós-operatórias
- Dificuldade em avaliar toda a estrutura do testículo
Análise patológica após remoção
O testículo é enviado para patologia imediatamente após a remoção. Técnicas de congelação permitem uma avaliação preliminar durante a própria cirurgia.
Cancro do testículo: como é feito o diagnóstico? O processo inclui:
- Classificação TNM conforme diretrizes europeias
- Identificação de subtipos tumorais
- Verificação de margens cirúrgicas
Em Portugal, a taxa de sucesso ultrapassa 98%, com recuperação rápida na maioria dos casos.
Estadiamento do cancro: exames de imagem avançados
Após a confirmação inicial, exames avançados mapeiam a possível disseminação. O estadiamento define a extensão da doença, crucial para escolher o tratamento adequado.
TC para detetar metástases em abdómen e tórax
A TC (tomografia computorizada) é o padrão-ouro para identificar metástases. Utiliza cortes finos de 2-3 mm, seguindo critérios RECIST 1.1 para medir lesões.
Em Portugal, hospitais como o IPO de Lisboa usam protocolos de radiação reduzida para jovens. Isso minimiza riscos sem comprometer a precisão. Cancro do testículo: como é feito o diagnóstico?
Ressonância magnética e PET em casos específicos
Cancro do testículo: como é feito o diagnóstico? A ressonância magnética é indicada para suspeitas de invasão local. O uso de gadolínio melhora a visualização de massas retroperitoneais.
Cancro do testículo: como é feito o diagnóstico? Já o PET/CT tem 85% de sensibilidade para seminomas. É reservado para:
- Casos com marcadores tumorais elevados.
- Recidivas após tratamento inicial.
- Dúvidas em outros exames.
No SNS, estes exames têm custos acessíveis, garantindo diagnóstico preciso para todos os pacientes.
Próximos passos após o diagnóstico confirmado
Com o diagnóstico confirmado, o plano de ação é definido conforme o estágio e tipo de tumor. Equipas multidisciplinares em hospitais como o IPO do Porto criam estratégias personalizadas.
Os tratamentos variam desde vigilância ativa até quimioterapia. Para estágios iniciais, a taxa de cura ultrapassa 99%, segundo dados da DGS.
Opções incluem:
- Programas de preservação da fertilidade antes da terapia.
- Acompanhamento rigoroso com exames periódicos.
- Apoio psicológico especializado para jovens.
Consultas de seguimento monitorizam efeitos tardios. A Liga Portuguesa Contra o Cancro oferece recursos para lidar com desafios emocionais e físicos.
Com avanços recentes, o prognóstico continua a melhorar. A deteção precoce mantém-se como fator decisivo para resultados positivos.







