Cancro do estômago: o que é e pode ser prevenido?
Cancro do estômago: o que é e pode ser prevenido? O cancro gástrico caracteriza-se pelo crescimento anormal de células no revestimento do estômago. Esta condição é a quinta neoplasia mais comum a nível global, com maior incidência em países asiáticos.
Em Portugal, as taxas de diagnóstico estão alinhadas com a média europeia. Contudo, a deteção precoce é crucial, uma vez que sintomas como a perda de peso só surgem em fases avançadas.
Este artigo explora mecanismos de prevenção baseados em evidências científicas, ajudando a compreender melhor esta doença e as formas de a combater. Cancro do estômago: o que é e pode ser prevenido?
O que é o cancro do estômago?
Este tipo de tumor ocorre no revestimento interno do estômago, um órgão em forma de J responsável pela digestão dos alimentos. O adenocarcinoma representa cerca de 90% dos casos, enquanto os linfomas gástricos são menos comuns.
O estômago está localizado entre o esófago e o intestino delgado. Esta posição estratégica facilita a digestão, mas também torna a região vulnerável a mutações celulares. Quando estas mutações ocorrem, podem levar ao desenvolvimento de tumores no epitélio gástrico.
Existem diferentes subtipos histológicos, como o adenocarcinoma difuso e intestinal, além dos tumores estromais (GIST). Cada subtipo tem características específicas que influenciam o tratamento e prognóstico. Cancro do estômago: o que é e pode ser prevenido?
O estadiamento TNM é utilizado para avaliar a profundidade do tumor e a presença de metástases. Este sistema ajuda a determinar a gravidade da doença e a definir o plano terapêutico mais adequado.
Em fases avançadas, os sintomas incluem disfagia (dificuldade em engolir), hemorragias digestivas e anemia crónica. A deteção precoce é essencial para aumentar as chances de sucesso no tratamento.
Fatores de risco do cancro do estômago
Cancro do estômago: o que é e pode ser prevenido? Identificar os fatores que contribuem para o desenvolvimento de tumores gástricos é essencial para a prevenção. Entre os principais elementos estão a infecção por Helicobacter pylori, os hábitos alimentares inadequados e o consumo de tabaco e álcool.
Infecção por Helicobacter pylori
A Helicobacter pylori está presente em 65% dos casos de cancro gástrico. Esta bactéria causa inflamação crónica no revestimento do estômago, levando à metaplasia intestinal. O risco aumenta até seis vezes em indivíduos infetados.
Hábitos alimentares
Uma dieta rica em nitratos, como carnes curadas, e pobre em vitamina C eleva o risco de desenvolvimento de tumores. Estudos indicam que o consumo diário de mais de 50g de enchidos aumenta o risco em 18%.
Tabagismo e consumo de álcool
Fumadores têm 40% mais probabilidade de desenvolver cancro gástrico proximal. O fumo contém 3.800 substâncias carcinogénicas que danificam a mucosa gástrica. O consumo diário de mais de 30g de etanol também está associado a tumores da cárdia.
| Fator de Risco | Impacto |
|---|---|
| Helicobacter pylori | Aumenta o risco em 6 vezes |
| Consumo de enchidos | Eleva o risco em 18% |
| Tabagismo | 40% mais probabilidade |
| Álcool (>30g/dia) | Correlacionado com tumores da cárdia |
Como pode o cancro do estômago ser prevenido?
A prevenção de tumores gástricos envolve estratégias comprovadas e mudanças no estilo de vida. Manter um IMC abaixo de 25 reduz o risco em 23%, enquanto a prática de atividade física moderada (150 minutos por semana) diminui a probabilidade em 15%.
Uma das estratégias primárias é a erradicação da Helicobacter pylori, uma bactéria associada a 65% dos casos. A terapia tripla, que combina antibióticos e inibidores da bomba de protões, é eficaz nesta abordagem.
- Controle de peso: A obesidade abdominal está diretamente relacionada com o desenvolvimento de adenocarcinomas.
- Exercício aeróbico: Praticar 30 minutos por dia, cinco vezes por semana, modula marcadores inflamatórios como a IL-6 e o TNF-α.
- Evitar automedicação: O uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) aumenta o risco de hemorragias gástricas.
- Rastreio genético: Indicado para portadores de mutações no gene CDH1, associadas à síndrome HDGC.
Cancro do estômago: o que é e pode ser prevenido? Adotar um estilo de vida saudável é fundamental para reduzir o risco de tumores gástricos. Estas medidas, aliadas a consultas regulares, contribuem para uma melhor saúde digestiva.
A importância de uma dieta saudável
Adotar uma alimentação equilibrada desempenha um papel crucial na redução do risco de doenças gástricas. Estudos mostram que o consumo diário de 400g de fruits vegetables pode diminuir o risco em 28%. Além disso, alimentos ricos em selénio, como a castanha-do-pará, têm efeitos quimiopreventivos.
Benefícios das frutas e vegetais
As fruits vegetables são essenciais para uma diet saudável. Frutas cítricas, como laranjas e limões, fornecem 70mg de vitamina C por 100g, fortalecendo o sistema imunitário. Vegetais crucíferos, como os brócolos, contêm sulforafano, uma substância que inibe a proliferação de células neoplásicas.
- Grãos integrais: Melhoram a microbiota intestinal e reduzem o tempo de trânsito dos alimentos.
- Técnicas culinárias: Cozinhar a vapor preserva 90% dos antioxidantes, ao contrário da fritura.
Riscos dos alimentos processados
Evitar processed foods é fundamental. Nitrosaminas presentes em enchidos, como o bacon, aumentam o stress oxidativo no estômago. Optar por alternativas naturais e frescas contribui para uma diet mais equilibrada e segura.
Além disso, reduzir o consumo de produtos industrializados diminui a exposição a aditivos químicos, que podem prejudicar a saúde gástrica. Priorizar alimentos integrais e naturais é uma estratégia eficaz para prevenir complicações.
Tratamento de infecções e condições pré-cancerosas
Intervir precocemente em infeções e alterações celulares pode prevenir complicações graves. O tratamento da Helicobacter pylori, uma bactéria associada a 65% dos casos, é uma prioridade. O protocolo de erradicação inclui claritromicina, amoxicilina e omeprazol, com uma eficácia de 85%. Cancro do estômago: o que é e pode ser prevenido?
O diagnóstico da Helicobacter pylori é feito através do teste respiratório com ureia marcada, que apresenta uma sensibilidade de 95%. Este método é rápido, não invasivo e altamente fiável.
Em casos de metaplasia intestinal, recomenda-se vigilância endoscópica bienal com biópsias múltiplas. Esta abordagem permite detetar alterações celulares antes que evoluam para lesões mais graves.
Para displasia de alto grau, as opções incluem mucosectomia endoscópica ou gastrectomia. A escolha do tratamento depende da extensão da lesão e do estado geral do paciente.
Estudos de quimioprevenção com aspirina em baixa dose (75mg/dia) mostram uma redução de 22% no risco de desenvolvimento de tumores. Esta estratégia é particularmente útil para pacientes com história familiar.
O acompanhamento pós-tratamento deve incluir endoscopias anuais para monitorizar a saúde gástrica. Esta prática é essencial para detetar recidivas ou novas lesões precocemente.
- Teste respiratório: Método eficaz para detetar a Helicobacter pylori.
- Vigilância endoscópica: Recomendada para pacientes com metaplasia intestinal.
- Mucosectomia: Opção para tratar displasia de alto grau.
- Quimioprevenção: Aspirina em baixa dose pode reduzir riscos.
- Acompanhamento: Endoscopias anuais são cruciais para monitorização.
Adote um estilo de vida saudável para prevenir o cancro do estômago
Adotar hábitos saudáveis é uma estratégia eficaz para reduzir o risco de doenças gástricas. Parar de fumar antes dos 40 anos diminui o risco para níveis semelhantes aos de não-fumadores em 15 anos. Terapias de reposição de nicotina aumentam o sucesso em 50%.
Moderar o consumo de álcool também é crucial. O limite seguro é de uma dose diária para mulheres e duas para homens. Esta prática ajuda a evitar complicações associadas ao excesso de bebidas alcoólicas.
Gerir o stress através de técnicas como mindfulness reduz a inflamação crónica, um fator que pode aumentar o risco de problemas gástricos. Além disso, a exposição solar moderada promove a síntese de vitamina D, associada a um menor risco de doenças.
Check-ups regulares, como a análise de sangue oculto nas fezes a partir dos 50 anos, são essenciais para detetar alterações precoces. Estas medidas, aliadas a um estilo de vida saudável, contribuem para uma melhor saúde digestiva.







